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Dia Internacional da Mulher

Na terra que é de Anita, muitas são as Marias, as Anas, as Terezas e tantos outros nomes que diariamente dão vida à cidade, exercem atividades e papéis na sociedade, na administração de empreendimentos ou simplesmente no aconchego do lar. Não é necessário aprofundar-se em algum estudo sociológico para constatar que nos dias de hoje a figura de um sexo frágil, com total dependência e falta de autonomia, deu espaço a mulheres que cada vez mais exercem importantes atividades no mercado de trabalho, buscam instrução nos bancos das universidades e por vezes, ainda encaram uma dupla ou tripla jornada, com a responsabilidade de educar e criar os filhos e administrar o lar. E foi pensando nisto, que na data a qual se comemora o Dia Internacional da Mulher, o JL reverencia as lagunenses através do perfil de mulheres que ficaram na história ou que de alguma forma, explícita ou anonimamente, ajudam a construir a cidade de Laguna.

 

 

Anita GaribaldiAnita Garibaldi
Filha das mais ilustres de nossa terra, a “Heroína dos Dois Mundos” ficou reconhecida internacionalmente por ter participado de diversas batalhas no Brasil e na Itália, ao lado de seu marido Giuseppe Garibaldi. Lutou na Revolução Farroupilha (Guerra dos Farrapos), na Batalha de Curitibanos e na Batalha de Gianicolo, na Itália. Corajosa e dedicada, foi homenageada em Santa Catarina com o nome de dois municípios: Anita Garibaldi e Anitápolis. Nascida aqui em 30 de agosto de 1821, de origem de família portuguesa, era filha de Maria Antônia de Jesus e Bento da Silva. Com a morte do pai, aos 14 anos, Anita se viu obrigada a casar com o sapateiro Manuel. O casamento durou apenas três anos; o marido se alistou no exército imperial e ela voltou para casa da mãe. O encontro com Giuseppe Garibaldi aconteceu no ano de 1835, durante a Revolução Farroupilha e desde então juntos, enfrentaram diversas batalhas, como a de Curitibanos, quando foi capturada pelas tropas do Império. Grávida de seu primeiro filho, foi informada que seu marido havia morrido. Inconformada, conseguiu fugir a cavalo e saiu a sua procura, localizando-o na cidade de Vacaria. Mãe de três filhos, Domênico Menotti, Teresita e Ricciott, Anita chegou a acompanhar o marido ainda em combates como o realizado em Roma. Acometida por uma frebre tifoide, morreu em 04 de agosto de 1849.

 

EMERI Emeri Schultz Massih
A sensibilidade de se doar ao próximo e conseguir mensurar o quanto este gesto poderá mudar uma vida. E quem melhor que uma mulher para entender esta prova de amor? O resultado deste questionamento pode ser exemplificado através das 22 voluntárias da Rede Feminina de Combate ao Câncer, que na liderança de Emeri Schultz Massih, realizam um belo trabalho na cidade. A presidente explica em uma frase o porquê de 35 anos à frente do grupo: “Se não existir a doação das pessoas para os mais necessitados, o que poderemos esperar do mundo?” Natural de Curitiba, a filha de dona Gênia e de “seo” Frederico Schultz dedica vários dias da semana em prol das atividades da Rede: “Angariamos os ingredientes entre o grupo, confeccionamos os doces e vendemos nos bailes da terceira idade e no centro da cidade. Essa renda é revertida no bem estar dos doentes de Laguna”. A média de pessoas carentes atendidas chega a 125 por mês, e o auxílio vai muito além de uma cesta básica: “Queremos tornar este momento o mais humanizado possível. Sabemos o quanto a pessoa fica frágil e que é desumano sair de uma ambulância às 4 horas da manhã para realizar uma quimioterapia e retornar apenas ao final do dia. Pensando nisso, aos que tem possibilidade de transporte, viabilizamos o combustível ou o pagamento de uma consulta em uma cidade mais próxima, enfim, tudo que possa facilitar”. Muito mais que voluntária, Emeri acredita que o papel de mulher e um pouco mãe é exercitado a cada visita realizada: “É muito bom poder passar um pouco de confiança, fé e incentivo a quem necessita, o verdadeiro remédio que não tem na prateleira. Neste momento é preciso despertar a esperança na vida. Adentrar as casas das pessoas mais humildes e levar tudo isto é reconfortante não apenas para quem recebe, mas para quem se doa”. O voluntariado é vivido por Emeri desde os tempos de adolescente, quando em viagem a casa de parentes, em Curitiba, já realizava visitas aos hospitais: “Desde menina sempre gostei de adjudar. Acredito que está no sangue”, brinca. Para as mulheres lagunenses, ela deixa seu recado: “Convivendo diariamente com o câncer e vendo o quanto esta doença debilita, lembro a todas a necessidade de prevenção. Não basta apenas cuidar da família, dedicar-se a vida profissional e esquecer da saúde. É preciso tirar um tempo do mês ou do ano para realizar exames . Isto é mais que um gesto de carinho com si própria, é dever de cada uma de nós”.

 

irma agenoraIrmã Agenora
Diretora do Asilo Santa Isabel – Era desejo antigo da matriarca da família vinda da Itália, ver um dos nove filhos seguir a vida religiosa. A filha Abília, atenta ao anseio da mãe, aos 11 anos decidiu acatar ao chamado e dirigiu-se ao convento. Lá, avaliaram que era nova demais e que deveria retornar com mais idade, ato realizado aos 14 anos. Como uma das “aspirantes”, nome dado às internas em estágio inicial, Abília realizou os estudos do então Curso Normal e foi nomeada por “Irmã Agenora”: “Naquele momento abdiquei dos valores do mundo para me dedicar aos valores do reino. Fiz os votos de pobreza, castidade e obediência. Confirmei meu compromisso e iniciei minha trajetória”. Nesta caminhada, muitos foram os auxiliados pela Irmã: “Me dediquei a missões da educação, no cuidado a crianças abandonadas e no auxílio a comunidades carentes”. Para amenizar a saudade da família, o intercâmbio através das cartas era o único meio: “Passei 9 anos sem ver meus pais. Foi um tempo de grande desafio, mas também a confirmação de que estava seguindo o caminho que meu coração mandava.” Antes de chegar a Laguna, a Irmã muito se preparou, até mesmo através da formação acadêmica, no curso de Assistência Social: “Lutei muito para conquistar meu diploma. O tempo vago para os estudos era durante a madrugada. Usei minha teimosia para provar que era sim possível administrar meu tempo e conciliar tantas funções”. O primeiro contato com o Asilo Santa Isabel aconteceu na década de 80: “Na época me dedicava a outras missões. Em Foz do Iguaçu, movimentava a comunidade que estava sendo desapropriada. Mas sentia que um dia faria muito pelo lar de idosos da terra de Anita”. Em 1987, com o chamado das irmãs, assumiu o Asilo Santa Isabel, onde inicialmente ficou até o ano de 1994, retornando posteriormente em 1997. Na antiga casa que abriga cerca de 50 idosos, Irmã Agenora considera-se um pouco mãe de cada um deles, o que há faz sentir muito mulher: “Exercito todas as virtudes maternas. Sou um pouco ouvido, coração, sentimento e por horas firmeza, discernimento, autoridade e amor”. Sobre as renúncias feitas, avalia: “A graça de Deus é maior que tudo. Optei o desafio e passei por provações, mas sempre existiu um objetivo maior de servir ao Senhor”. Quando o assunto é a mulher nos dias de hoje, a Irmã tem seu ponto de vista formado: “Vejo com receio a falta da transmissão de valores essenciais. Se preza muito mais pelo parecer do que pelo ser, um erro que só será resgatado no final da vida, quando a idade pesa”. Sobre o comportamento das mães, ela também avalia: “Não se deve generalizar, mas creio que apesar da mulher precisar lutar e ir à busca de suas realizações, não pode esquecer jamais do lado mãe. Ninguém a substituirá neste papel. Desejo que todas saibam ponderar e dar os valores reais as atividades que as cercam e o valor da família em suas vidas”.

 

Ivete Scopel
Vice-Prefeita – Natural de Caxias do Sul, filha de “seo” Avelino e de dona Eduína, a advogada foi apresentada a Laguna através do marido, Adilcio Cadorin: “Tendo ao meu lado um entusiasta pela biografia de Anita e de Garibaldi, foi inevitável não me contagiar e acabar me apaixonando por esta terra. O que inicialmente era um lugar para passarmos as férias acabou se transformando na cidade onde pretendemos passar até o fim de nossos dias”. O contato inicial com a política veio também através do marido, que quando prefeito transmitiu a ela a função de administrar a Fundação Irmã Vera: “Sempre gostei do cunho social e da oportunidade de estar à frente de projetos para crianças e principalmente de grupos da terceira idade, uma camada da população que carece de assistência e que poucos dão valor”. Sobre o papel da mulher no governo a vice-prefeita analisa: “Creio que ainda exista muito preconceito e não apenas nesta área. Figuras importantes para o país, como Dilma Rouseff e até mesmo nossa heroína Anita são julgadas pelo perfil forte. Vejo como verdadeiros exemplos, de pessoas que enfrentam e vão à luta”. Ivete lembra ainda a porcentagem inexpressiva de mulheres nas últimas eleições municipais: “Por lei é necessário cumprir um mínimo de 20% de candidatas à vereadora e confesso que foi uma tarefa árdua de mobilizá-las”, analisando ainda: “A mulher tem uma forma diferenciada de lidar com qualquer situação. Tem a virtude de saber ouvir, gesto não tão presente no universo masculino.” Com uma rotina que inicia por volta das 6 horas da manhã, a vice-prefeita procura não deixar de lado a vaidade: “Tenho o hábito de caminhar ainda bem cedo. Faço isso mais como prevenção do que por estética. Não sou frequentadora assídua de salões de beleza, vou apenas quando é realmente necessário. Quando mais nova investia mais na produção, hoje opto por peças mais básicas, com o objetivo principal de me sentir bem”. Com a sabedoria de quem já muito conquistou, considerando-se realizada como mãe, esposa e política, Ivete deixa seu recado às mulheres: “As que estão no início da caminhada, desejo que continuem lutando pela conquista de sua independência e realização profissional. As que já passaram deste estágio, e que hoje vivenciam a terceira idade, que levem uma vida tranquila, com harmonia e usufruam do lado bom de toda experiência adquirida com o passar dos anos”.

 

 

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