Douglas Heidtmann Jr.

Craque

“Pai, leve essa camiseta para mim?” disse meu filho, em uma loja de artigos esportivos, no início de 2026. Olhei a camiseta e logo reconheci as cores da seleção campeã do mundo, a qual nós, brasileiros, somos acostumados a ter como nossa principal adversária no futebol. Mesmo assim, a comprei de presente, pois o que meu filho desejava era vestir a camiseta da seleção com o nome de um jogador que ele aprendeu a admirar: Messi. Em 2016, mais precisamente, na noite de 10 de Julho, cheguei em Portugal para um congresso e assisti à seleção lusa ser campeã da Europa. Em seguida, comprei para meu filho uma camiseta daquela seleção com nome do principal jogador nas costas: Ronaldo. De 2016 a 2026, o tempo passou, o mundo mudou e meu filho acompanhou a trajetória dos craques, bem como meus comentários de que “nossos Ronaldos” (ambos já aposentados) tinham sido bem melhores, no tempo deles. Isso, sem falar em Pelé, que nem vi jogar. Ainda naquele 2016, Messi chegou a se declarar “aposentado” da seleção argentina, mas acabou retornando e a liderando ao título da Copa de 2022. Aliás, a aposentadoria de um craque é complexa e sempre se espera que ele mude de ideia e retorne ao campo, com suas jogadas espetaculares. O ano de 2026 será inesquecível na história de craques. Em 6 de outubro, depois de mais de 20 anos defendendo a camiseta argentina, Lionel Messi (39) marcou, de pênalti, o terceiro gol da Argentina contra Benin e se aposentou definitivamente da seleção. Poucos dias antes, em 30 de setembro, em partida contra a Noruega, Cristiano Ronaldo (41) foi deixado no banco de reservas de Portugal e acabou deixando a concentração, sendo suspenso por 30 dias e, aparentemente, se aposentando da seleção. No momento exato em que escrevo, descubro, entre outras notícias impactantes de nossa atualidade, que a Federação Portuguesa de Futebol acaba de incluí-lo na pré-lista de convocados da seleção de Portugal para os próximos jogos da Liga das Nações da Uefa, o que, aparentemente, possibilitará seu retorno. É, realmente fica muito difícil um craque se aposentar, pois a torcida sempre clama por sua permanência, principalmente, para que jogue bonito por seu país. Um craque, por mais que admiremos pela individualidade, acaba sendo aquele que puxa para si a responsabilidade de liderar o trabalho coletivo, que ocorre no time, no bairro do time, na sua cidade e, por vezes, no seu país. Por isso, quem preza apenas por aspirações individuais jamais entenderá que o trabalho do verdadeiro craque é, acima de tudo, uma luta coletiva. Nosso país já testemunhou a aposentadoria de craques, que deixaram nome e legado para o mundo, como o “rei”, o “fenômeno” e o “gaúcho”. Craques verdadeiros e insubstituíveis, daqueles que quebram todos os recordes, superam fatores etários, aguentam derrotas, disputa de pênaltis, juízes persecutores, lesões graves, difamações, pressão da prorrogação e viradas surpreendentes de placar. Agora, somos testemunhas da vitória de alguém que, apesar de já ter seu lugar na história, insiste em não se aposentar e continua construindo uma luta coletiva, que passa a ser mundial. Como alguns disseram, o maior “craque da Política” (81) acaba de fazer mais um golaço, com a nossa camiseta do Brasil.

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